10 de ago. de 2020

Boticário Barolo - Avaliação Perfume



Lançado em 2009 e posteriormente relançado em 2012, o perfume Barolo tornou-se uma relíquia da perfumaria nacional. É praticamente impossível de ser encontrado hoje em dia e muitos lamentam a sua descontinuação, pedindo sua volta ao Boticário sempre que surge uma oportunidade para isso. Avalia-lo nesse momento acaba cumprindo tanto o propósito de documentar sua existência como trazer atenção a sua fragrância e, quem sabe, motivar a marca a fazer mais uma edição de seu fino aroma.

Em 2012 Barolo voltou para o dia dos pais como uma fragrância sofisticada e que recebeu a nomeação de reserva especial, uma nomenclatura do mundo dos vinhos para destacar algo de excepcional qualidade, feito com as melhores uvas e com um processo maior de maceração. Tentando capturar essas características e a complexidade do vinho Barolo o perfumista Clément Gavarry menciona em entrevistas da época que diz ter buscado uma fórmula que tivesse grande riqueza aromática e complexidade gustativa, capaz de trazer uma estrutura complexa com finesse.

É necessário mencionar que os perfumes, assim como os vinhos, envelhecem e mudam em temperatura ambiente e as impressões de um perfume descontinuado como o Barolo acabam tendo esse viés, não refletindo seu aroma fresco. Isso me chamou a atenção nessa fragrância pois de memória olfativa o lembrava mais simples, frutado e doce e a amostra envelhecida pelo tempo parece ter ressaltado justamente a riqueza e complexidade gustativa do Barolo.

Esse é certamente um dos melhores flankers do Malbec e o perfumista realmente conseguiu encaixar muitas nuances olfativas e manter a composição dentro do perfil amadeirado e frutado alcóolico do tradicional. A saída certamente perdeu-se com o tempo e os aromas frutados não são mais evidentes, entretanto o resto da composição tornou-se ainda mais complexa. As especiarias revelam-se em fina harmonia com nuances doces e meio amargas e cercadas de um aroma amadeirado complexo, envolto em resinas aromáticas. É como se Barolo oscilasse entre uma base oriental e uma base amadeirada, como se o cheiro das madeiras dos barris tivessem ganhado mais ênfase na maceração do perfume ao longo dos anos. É uma das fragrâncias descontinuadas que fez história, deixou saudades e merecia e muito voltar mais uma vez às prateleiras.

Boticário Botica 214 Jasmim & Patchouli - Avaliação Perfume



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Qualquer projeto, inclusive de perfumaria, é feito de um conceito, requisitos e execução. Claramente com Botica 214 a ideia do Boticário era tentar resgatar parte da sofisticação que a empresa tem ao longo dos anos perdido com os usuários em face de suas constantes reformulações e diminuições no volume dos frascos. É possível perceber também que o objetivo da marca era criar algo com características de nicho, e que se traduzem nos requisitos da composição: riqueza de ingredientes naturais, um frasco mais clássico, sofisticado e minimalista, foco em poucas notas, alta qualidade, concentração Eau de Parfum. A ideia é claramente trazer para o público brasileiro um perfume com características de nicho, porém infelizmente a execução do projeto acaba sendo confusa.

É difícil entender claramente por qual motivo a Boticário resolve celebrar com esse trio de fragrâncias um ano de aniversário que não corresponde a nenhuma data em específico e qual é a relação do projeto com a história da marca, soando mais como um pretexto para criar a coleção. A ideia de fazer uma eau de parfum certamente cria expectativas no consumidor que a marca não consegue atender, visto que nenhuma das composições é potente ou encorpada o suficiente se espera hoje. Eu diria que a marca também não percebe que seu público não é em sua grande parte consumidor de perfumes de nicho e exclusivos e criações que levam uma ou duas notas em marcas comerciais como Natura e Boticário não possuem essa associação luxuosa. Inclusive a Natura já tentou anteriormente, sem sucesso, criar uma coleção com características de nicho e que já foi descontinuada - a linha Essa Flor.

É uma pena que o projeto tenha sido conduzido assim pois mesmo que Jasmim e Patchouli não seja intenso e marcante como esperado é de fato uma fragrância que celebra um jasmim fino e um patchouli limpo e de qualidade. Apesar do nome deixar um implícito um perfume mais direto em sua temática Jasmim e Patchouli é mais complexo do que sugere. Sua saída tem um aroma frutal equilibrado, delicado e suculento, aproveitando bem a nuance mais frutada de um Jasmim que tende mais para o Sambac. Conforme evolui para o coração o perfume mostra um lado discretamente atalcado, algo que sugere tanto flor de laranjeira como violeta. O jasmim também se transforma, indo para uma direção menos frutada e com nuances amadeiradas. A base, por fim, é a última surpresa do perfume. O patchouli a princípio sugere um aroma chypre moderno, limpo e discretamente canforado, porém por trás dele surge um discreto toque de camurça, nuances balsâmicas e um acorde de musk com um tom animálico sutil, algo que me faz pensar distantemente em oud.

Há uma boa complexidade acontecendo por trás de Jasmim e Patchouli, o maior problema é que ou a marca não o concentrou o suficiente ou fez o que tem feito com a maioria dos seus perfumes - vende sem que eles envelheçam o suficiente. Isso faz com que esses detalhes secundários que tornam o perfume interessante só se destaquem quando se aplica generosamente a fragrância, o que certamente frustrará quem espera um edp onde poucas borrifadas fazem efeito. É um perfume elegante e delicioso, porém construído com uma identidade errada e confusa e que pode atrapalhar suas vendas, podendo levar à uma futura descontinuação.

Boticário Botica 214 Dark Mint - Avaliação Perfume




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Inaugurando a ala masculina da linha Botica 214 o perfume Dark Mint foi a aposta do Boticário para o dia dos pais de 2020. É interessante que tanto a Natura como o boticário foram por caminhos refrescantes e exóticos para atrair a atenção dos consumidores nas comemorações desse ano. A diferença é que enquanto Natura Homem Emocion.E aposta por algo um pouco mais moderno e ousado o perfume Botica 214 Dark Mint vai no que é seguro e aposta numa modernização do clássico aroma fougere.

Talvez uma das coisas que decepcione nessa criação é a expectativa baseada unicamente no nome. Botica 214 Dark Mint não possui nada que seja muito dark ou muito mentolado ao ponto de afastar as pessoas que não gostem de menta. É uma criação que aposta em contrastes porém de uma maneira equilibrada e nem um pouco dark. Assim temos de fato o que a marca descreve, o aroma amadeirado e mais rústico do cedro com o frescor herbal da Menta Marroquina, a principal protagonista do acorde fougere da composição.

Talvez pela utilização de uma estrutura atemporal e talvez do foco nos pais a criação parece familiar. Alguns apontam uma semelhança com a família Arbo da Boticário e de fato a forma como a menta é trabalhada nessa composição remete ao frescor verde dessa linha, entretanto de uma maneira mais moderada, trazendo espaço para que os cítricos e um leve toque aquático apareçam na saída e evolução.

O fundo mostra um aroma ambarado e amadeirado equilibrado, algo mais rústico e amadeirado e que permanece de maneira razoável na pele. Há alguma semelhança distante com o perfume The Blend, um leve que exótico amadeirado que parece remeter a mesma ideia trabalhada nessa outra composição do Boticário. Botica 214 Dark Mint é bem sólido ao que se propõe - ser um perfume fougere moderno equilibrado e que usa de maneira moderada o frescor da menta e o cheiro amadeirado do cedro. Talvez a marca poderia ter dado um outro nome e conceito à composição que gerasse menos expectativas do consumidor.

7 de ago. de 2020

In The Box Red Sauce - Avaliação Perfume Contratipo (Givenchy Xeryus Rouge)


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Seguindo com o lançamento de inspirações pouco ofertadas em contratipos a In The Box lançou recentemente para o público masculino o perfume Red Sauce. O nome é uma referência ao aroma fougére apimentado da fragrância Xeryus Rouge e brinca tanto com o Rouge do nome da inspiração como com a nota de pimenta malagueta presente na fragrância original. A In The Box o define como um perfume icônico e feito para o homem que gosta de perfumes atraentes e misteriosose isso é certamente uma referência a fama que o perfume Xeryus Rouge adquiriu nas redes sociais, a de ser um perfume sensual, "transão".

Red Sauce se esforça em capturar o lado apimentado, versátil e sensual do Xeryus Rouge e de tentar melhorar a sua performance sem modificar muito a sua identidade. Talvez essa preocupação da In The Box se reflita em uma projeção que não é tão alta quanto outras criações da marca, mas em termos de fidelidade olfativa Red Sauce é muito satisfatório e harmônico.

O contraste entre o aroma especiado picante, o aroma verde e o aroma mais fresco é muito bem capturado em Red Sauce, tendendo até um pouco mais para o lado exótico de suas notas verdes. O aroma de cactus é bem perceptível e acrescenta algo interessante a saída bem fougere cítrica e fresca. O gerânio estende o perfume numa direção fougere verde e levemente mentolada e a nota de pimenta malagueta parece formar com ele um contraste entre algo quente e refrescante.

A base mantém-se fiel a ideia do original, trazendo um aroma amadeirado musk que é confortável, duradouro porém um pouco mais discreto, dando mais uma cara amadeirada do que oriental a composião e servindo para segurar o exotismo fresco e picante que vem antes. Red Sauce é certamente um perfume versátil, não sendo nem muito exótico para que não seja usado de dia nem muito comum para que não seja também uma boa opção para a noite. Esse jogo de conforto e exotismo do original é certamente o que o torna para muitos um perfume atraente e conquistador e isso é muito bem capturado aqui.

6 de ago. de 2020

Mahogany DSGN Woman - Avaliação Perfume

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Diferente de L'Épine DSGN Woman representa um lado da Mahogany que muito desfavorece as fragrâncias da marca. Tirando suas fragrâncias mais caras a Mahogany trata boa parte do visual da sua linha como se fosse algo secundário e desnecessário - frascos genéricos, que estão sempre em troca e que dificilmente valorizam o conteúdo que vai dentro. A empresa investe em boas produções de perfumaria ainda que dependa muito de inspirações em perfumes importados, mas é difícil saber se o consumidor que não é apaixonado por perfumes se motiva a conhecer as fragrâncias da marca pela primeira impressão que elas causam.

Lançado em 2018 para atender o público mais jovem o perfume DSGN Woman parece mais o projeto de um contratipo barato do que de um perfume inspirado e bem feito. Pelo menos sua escolha de embalagem e vidro trazem um rosa shock que chamam a atenção, pois o frasco e o spray parecem indicar justamente um perfume de qualidade duvidosa. O que é uma pena visto que DSWN Woman entrega uma variação acessível e bem feita do perfume Olympea de Paco Rabanne.

DSGN Woman mantém o aroma floral luminoso e de nuances gourmands do Olympea e trabalha ao redor de suas nuances. Em vez de termos a ideia de sal em contraste com a baunilha e as flores brancas o perfume leva a ideia numa direção um pouco mais aquática e fresca e dá uma ênfase ligeiramente maior ao aroma floral e frutado do jasmim. A baunilha é complementada por um leve toque torrado de avelãs e a base é um pouco simplificada, removendo as nuances de ambegris e pondo mais ênfase no musk. Ainda sim é possível perceber boa parte da dinâmica floral gourmand e levemente salgada do perfume que inspira DSGN Woman, que pelo preço se torna uma excelente opção ao Olympea para uso cotidiano. É uma pena que seja uma entregue de uma maneira tão ruim em termos de visual.

Mahogany L'Épine - Avaliação Perfume



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Lançado em 2018, L'Épine faz parte do portfolio mais caro e luxuoso de fragrâncias da Mahogany, os que a empresa dedica um cuidado maior no frasco e apresentação da fragrância. Vindo atualmente em um vidro oval e de um vermelho degradê sensual, tudo em L'Épine parece girar ao redor de criar uma fragrância ousada, opulenta, sensual e distinta e isso se reflete bem na fragrância que é entregue.

Em termos de aroma L'Épine é a Mahogany em sua essência, nada que seja original mas pegando uma similaridade/inspiração olfativa e acrescentando modificações à ideia que tornam a semelhança interessante e diferente. No caso dessa fragrância a marca claramente se inspira no perfume Decadence de Marc Jacobs para oferecer esse "espinho que desperta inquietação logo nas primeiras horas".

É como se L´Épine despissse Decadence de suas nuances mais estranhas, o que acaba dando ênfase nos elementos cítricos e amadeirados. Isso é certamente ousado de se fazer para um perfume feminino mas é feito de uma maneira que não deixe o perfume amadeirado demais.É interessante que a marca não liste nada de especiarias, com a saída de L'Épine sugerindo um leve toque apimentado e especiado fresco.

Na evolução o jasmim, ylang, e gardênia conferem um leve aspecto floral, mas nada que remeta muito ao aroma de pétalas florais brancas ou algo muito sensual ou narcótico. As flores acabam servindo mais para arredondar a dinâmica cítrica e amadeirada da fragrância e conferir o lado mais opulento da ideia. Cedro, sândalo e pau brasil criam um aroma amadeirado aveludado, cremoso e fresco/luminoso e ao redor dele se desenvolvem as outras notas.  Ainda que seja vendido como um perfume feminino certamente L'Épine daria uma fragrância ousada e opulenta também para os homens mais dispostos a arriscar em fragrâncias extravagantes.

Micallef Ylang In Gold - Avaliação Perfume



Ylang in Gold é fiel ao estilo de perfumaria Micallef: doce, adulto e bem feito. Entretanto, há falhas em sua criação que ficam evidentes conforme o perfume evolui na pele em direção as notas de base. Mas até ele chegar nessa fase, é um bem elaborado floral de nuances gourmands.

A estrela na composição, conforme o nome já indica, é de fato o ylang, um ylang com um leve quê frutal que está como que mergulhado numa fina camada  de aromas gourmands - um blend de baunilha, musk e coco que passa uma sensação de chocolate branco e ylang com um quê da cremosidade de coco. Apesar de gourmand, ele não é enjoativo e a presença marcante do ylang é o que o torna um perfume mais adulto que juvenil. A saída também ajuda a torná-lo mais complexo e dinâmico, mesmo que por apenas alguns momentos, com uma agradável combinação herbal e mentolada que infelizmente não dura muito.

O maior problema de Ylang in Gold é, entretanto, o musk. Como a sua base não é muito complexa, passado o melhor do perfume ele se torna uma composição almiscarada cremosa e mediana, genérica, que não faz justiça ao que se desenvolveu antes na pele. Ylang in Gold merecia uma evolução muito mais rica e dourada do que ele recebe e o quanto ele valerá a pena vai depender muito da duração, em cada um, da parte mais interessante de sua evolução.