5 de ago. de 2020

In The Box La Déesee - Avaliação Perfume Contratipo (Paco Rabanne Olympea)


Decant disponível em: https://rb.gy/ht6qpr
Frasco disponível na In The Box: https://rb.gy/h7t40j

A primeira coisa que me chamou a atenção nesse contratipo da In The Box foi o nome e tive que pesquisar o significado para entender qual era a sua relação com o perfume no qual ele se inspira. La Déesse faz uma alusão inteligente ao Paco Rabanne Olympea - seu nome em francês significa deusa e o perfume da Paco Rabanne faz alusão justamente as deusas do Olimpo. Tanto contratipo como original se preocupam em criar um perfume moderno que seja poderoso e marcante, digno de uma divindade feminina. A principal diferença entre eles é que a versão da In The Box parece se preocupar mais em tornar essa deusa mais versátil, pronta para qualquer ocasião.

La Déesse mantém a dinâmica de flores brancas cítricas, baunilha e notas salgadas e me parece oferecer algo mais equilibrado entre esses 3 elementos. Isso realmente faz com que ele combine facilmente com dias e noites dependendo da quantidade utilizada. É claro que em temperaturas muito quentes e abafadas seu aroma doce e levemente salgado irá projetar intensamente, mas tirando essas ocasiões sua fragrância se mostra de maneira bem harmônica e elegante.

A saída de La Déesse parece trazer o lado mais cítrico e frutado das flores brancas e difere do Olympea por não carregar a doçura nessa parte. O aspecto levemente salgado demora um pouco mais para aparecer mas não a ponto de o perfume não remeter a criação original. É interessante que na versão feita pela In The Box o ambergris seja mais evidente que no original, acentuando o toque salgado até o fim e dando um aspecto sensual mais contido porém muito interessante.

As notas florais se misturam facilmente com a baunilha nessa fragrância e criam uma impressão abstrata, algo bem aconchegante e sofisticado. A baunilha dura até o fim e se mostra de uma maneira mais cremosa do que doce, combinando-se bem ao ambergris e ao aroma amadeirado suave de sândalo. La Déesse talvez possa decepcionar quem espera toda a doçura do tradicional mas certamente irá agradar e muito a quem procura uma boa versão do Olympea e também para quem deseja uma versão mais harmônica da mesma ideia.

4 de ago. de 2020

In The Box Angélique - Avaliação Perfume Contratipo (Thierry Mugler Muse)

Frasco disponível na In The Box: https://rb.gy/lhwng7

Ainda que o perfume Angel Muse tenha feito sucesso com o público não existem muitos perfumes similares a ele. É até possível encontrar contratipos de sua fragrância, porém nenhum de uma marca onde seja possível confiar na semelhança e nenhum entregue numa apresentação bem acabada e elegante. Angélique da In The Box se destaca justamente por ser o primeiro contratipo profissional dessa excelente fragrância de Thierry Mugler.

Como é esperado de um bom contratipo há diferenças entre o original e a versão retratada aqui, porém diferenças que serão mais perceptíveis para quem está acostumado a avaliar fragrâncias ou que ama tanto Angel Muse que é capaz de perceber os mínimos detalhes. Fora isso, Angélique cumpre muito bem seu papel de ser uma excelente versão do aroma gourmand com ênfase em avelãs e patchouli.

Angélique já abre bem docinho, trazendo nuances de mel e de um aroma gourmand que remete a creme de avelã, capturando muito bem a doçura e a cremosidade de sua inspiração. Uma diferença que é perceptível é uma maior presença do aroma cítrico da saída, com a toranja dando um leve amarguinho mais evidente aqui e que ajuda a equilibrar a doçura da composição.

Os perfumes evoluem de maneira similar e conforme passa o tempo na pele as nuances de mel e o aroma cremoso de avelã dão espaço para uma base mais oriental amadeirada. O patchouli aqui é a principal estrela da mesma maneira que é no perfume Angel e no perfume Angel Muse, dando um aroma que tem um aspecto meio gelado/canforado e uma nuance de chocolate amargo. O vetiver atua de maneira secundária para dar dimensão ao aspecto amadeirado da composição. Nessa última fase ainda percebemos a doçura de Angélique, porém mais do ponto de vista de um aroma açúcarado envolvendo o aroma meio amargo do Patchouli.

Ainda que vendido dentro do portfolio feminino da marca In The Box Angélique dá um excelente gourmand compartilhável e vale a pena ser explorado pelo público masculino que gosta desse tipo de composição. Performance e projeção condizem com o listado pela marca no site e Angélique é mais uma criação da In The Box que agrada pelo excelente custoXbenefício do que entrega.

Houbigant Fougere Royale Parfum - Avaliação Perfume



Até o início da década passada eram poucos os perfumes masculinos que existiam em parfum, a mais intensa de todas as concentrações e a que as grifes costumam caprichar na matéria-prima utilizada. Em 2010 a grife francesa Houbigant ao relançar uma versão modernizada do Fougere Royale adicionou uma luxuosa versão parfum ao seleto grupo disponível a homens que prezam a qualidade e a riqueza e estão dispostos a pagar por isso. A versão parfum difere de outros parfums disponíveis no mercado por não apenas intensificar e deixar mais luxuoso a base, mas por tornar mais evidente e complexo a abertura também.

Fougere Royale é um luxo clássico do começo ao fim, bem mais perceptível nos detalhes em cada fase. Isso já começa com uma interessante saída cítrica e verde, com um toque floral de camomila que confere um aroma floral seco a ele. A lavanda, um importante elemento do acorde fougere, aparece junto com um gerânio de altíssima qualidade, formando juntos um coração herbal, de aspectos mentolados,um sofisticado floral verde sutil e algo discreto de especiarias.

Conforme evolui, a lavanda se encaminha para uma modificação ao estilo baunilha e o patchouli a complementa. Este já é evidente desde a abertura, com um aroma terroso e canforado, mas ele se torna perceptível mesmo no final da composição e é possível perceber que é um patchouli de qualidade, complexo, de pequenas nuances, bem combinado com a lavanda. A fava tonka é utilizada de forma interessante nesse perfume, conferindo um aspecto amendoado que as vezes se torna principal para se misturar ao patchouli e a lavanda e só depois de um tempo retornar novamente ao foco do perfume.

O que mais me intriga em Fougere Royale na concentração Parfum é uma nuance de couro que não existe na versão normal e que parece ser produzido pela combinação de notas na pele, o que lhe confere um aspecto ainda mais sofisticado a concentração. Essa versão é um interessante exercício de restauração luxuosa sem restrição nenhuma de custo a uma das famílias masculinas mais clássicas e o resultado final é o equivalente de uma bela e clássica melodia que revela detalhes interessantes ao ter sua qualidade de som restaurada nos mínimos aspectos. Para quem procura algo clássico, sofisticado e que o preço não é um problema, é um bom candidato a se considerar.

3 de ago. de 2020

Yves Saint Laurent Libre - Avaliação Perfume



Lançado em 2019 o perfume Libre é o primeiro perfume da YSL desde 2012 que não é um flanker de nenhum dos sucessos consolidados da marca e por isso a marca aqui investe grande em criar seu novo sucesso de vendas para o público feminino. Libre é mais uma fragrância que parece unir aroma e feminismo - sua fragrância é voltada para a mulher forte, ousada e livre e sua garota propaganda é a cantora Dua Lipa que ganhou grande popularidade justamente com uma música que dialoga com esses valores que a marca pretende vender dentro da fragrância.

Tirando os aspectos de marketing e propaganda, Libre é um dos poucos perfumes femininos da nova geração que propõe olfativamente uma mulher mais sensual, ousada e livre dos esteriótipos dos florais frutados de coloração rosa e personalidade fraca (exemplo: Lancome Idole). A mulher de Libre está de fato inserida nas tendências e isso é percebido principalmente na base de Libre, onde o lado mais gourmand predomina. Ainda sim, essa é uma fragrância que mescla elementos da perfumaria masculina e feminina, flerta com a perfumaria exclusiva e trás uma mulher que parece adotar todas as nuances florais, do inocente ao carnal.

Os perfumistas de Libre mencionam que a fragrância possui elementos fougeres e essa é uma maneira de simbolizar a liberdade e ousadia que o perfume deseja passar visto que essa é uma família olfativa praticamente exclusiva do público masculino. É interessante que a fragrância de fato traga isso, mas não de uma maneira óbvia: o lado mais aromático e fougere da lavanda e dos cítricos é combinado às nuances florais do jasmim, flor de laranjeira e a algo que também remete a ylang. O resultado disso me faz lembrar de dois perfumes florais aromáticos da Amouage que são bem sensuais e pouco conhecidos do público: Amouage Silver Man e Amouage Ciel Man.

Libre começa com uma leve doçura cítrica e silvestre devido a combinação da mandarina e da groselha. O aspecto floral logo surge e vem acompanhado da nuance fougere proveniente da lavanda. A princípio percebemos o lado mais amargo e verde do petigrain de laranjeira, depois as nuances mais sensuais e carnais do jasmim e um toque floral fresco de ylang e laranjeira. A lavanda é trabalhada de maneira a dar frescor e luminosidade as flores e não é a sua típica lavanda mais limpa.

Dependendo do dia que Libre for usado a sua identidade se altera na pele nos momentos finais de sua evolução. Em dias de calor o aroma floral ganha vida e exuberância e conduz rapidamente o perfume a uma base gourmand, onde uma baunilha adocicada e torrada se destaca em meio aos aromas amadeirados. No frio o lado mais aromático do corpo floral é evidente e o perfume evolui lentamente, sem grande ênfase no lado adocicado e com uma base mais musk e madeiras, o que acaba acentuando ainda mais o lado compartilhável da composição. É uma fragrância que consegue encontrar um meio termo entre a ousadia da Yves Saint Laurent do passado e o apelo comercial da Yves Saint Laurent do presente, sendo livre para ser as duas em vez de optar por ser uma só.