13 de jul. de 2020

Amyi I - Avaliação Perfume/Experiência



A expectativa é muitas vezes a mãe da decepção e um projeto como o da Amyi certamente gera muitas expectativas por ser algo bem diferente do que conhecemos na perfumaria brasileira. Com o nome proveniente do Tupi e que significa lado a lado a Amyi nasce como um foco inédito na perfumaria brasileira, o da experiência do usuário, o chamado UX no mundo do software.

Como uma experiência de usuário, o foco da Amyi em sua coleção é mais no sentir do que no descrever, procurando guiar o seu consumidor por uma jornada onde fragrâncias, imagens e vídeos se complementam. Há um guia simples para isso, onde a pessoa após comprar a experiência Amyi e receber 3 kits com todas as fragrâncias acessa uma área exclusiva do site e vai selecionando cores, texturas e sensações que o perfume passou.

Eu tinha altas expectativas com a coleção Amyi e diria que começar pela ordem que a marca sugere infelizmente já cria a decepção logo de cara. Amyi I é o perfume correto e ao mesmo tempo o perfume errado para começar a coleção. Correto pois ele escolhe um aroma de fácil entendimento e abre de uma maneira alegre e difusiva com um cítrico verde. É errado pois dá a impressão de que a Experiência Amyi é algo superficial, mais focado em criar uma camada de encantamento para o consumidor mas sem substância por trás disso.

Eu diria que do ponto de vista da jornada em si, Amyi I é inédito apenas pois nenhuma empresa ainda fez o que é proposto aqui, que é o de guiar o consumidor em sua jornada de experimentação. O que a página propõe, entretanto, é bem ralo, mas talvez tenhamos um nível brasileiro de educação olfativa tão baixo que explique isso. Afinal, o que exatamente selecionar 1 cor, 1 textura e 1 sentimento trás de novo a jornada de experimentação de um perfume?

Com relação a liberdade do perfumista, Amyi I também me soa ralo e superficial. Depois de ter visto o vídeo eu não sei muito sobre a perfumista Sandra Casagrande a não ser algo que eu mesmo poderia ter descoberto pelo google. Nas divulgações do site Sandra diz que desejava expressar o entusiasmo para o futuro que se abria e se desafiou a criar um perfume improvável e surpreendete. Agora me digam, o que tem de improvável em um perfume cítrico dentro de uma coleção de perfumaria e de surpreendente no propósito de  criar um cítrico que fixe? Eu não sei, mas eu vejo aqui muito discurso e pouca substância

Amyi I parece ter sido feito para propósito educativos, pois funciona muito bem na fita e é uma baita decepção na pele. Na fita Amyi I trás o frescor e o lado mais amarguinho do grapefruit e a captura de uma maneira transparente, com um frescor verde e levemente floral que vai se revelando até a base mais amadeirada e áspera chegar. Na pele, porém, a identidade cítrica da fragrância fica apenas nos primeiros minutos. O que vem depois parece mais um floral propício para um produto de perfumaria funcional e o aspecto aldeídico soa descalibrado. A base é agressiva, um aroma amadeirado e de musk que incomoda um pouco e tira o frescor e identidade cítrica proposta. Amyi I soa comum e um pouco desleixado, como se alguém tentasse empacotar o que já existe no mercado com um discurso novo e ludibriar o consumidor a uma dessas jornadas onde vc é orientado para onde olhar justamente para não perceber onde está as falhas.