14 de jul. de 2020

Amyi III - Avaliação Perfume/Experiência



Metaforicamente a Amyi representa todos nós quando estamos na faculdade ou em um projeto do trabalho. Acreditamos que nossa ideia é a melhor de todas, a mais criativa e autentica até apresentarmos ela para o nosso orientador ou gestor e recebermos as críticas. Ninguém gosta disso, mas o fato é que a não ser que você seja genial o processo de crítica e orientação é crucial para que seja moldado um resultado final que realmente reflita o que queremos passar e que não conseguimos ver por nós mesmos. E como a Amyi não é uma marca genial falta justamente isso, de maneira que eu tenho nessa primeira coleção e na marca muitas ideias e conceitos e pouca coerência e consistência final.

A total liberdade criativa que é dada a Sandra Casagrande produz um perfume interessante em Amyi III mas produz uma coleção desconexa na história que conta. Em 2 dos 3 perfumes Sandra enfatiza cativos da Takasago e no Amyi III isso não acontece. 2 dos 3 perfumes são amadeirados e 1 deles é cítrico. Somente um deles trabalha uma narrativa e ainda por cima a trabalha de maneira superficial, explorando em Amyi II um tema de geisha que parece mais uma desculpa do que uma temática de fato. Sandra diz que reconhece sua assinatura olfativa amadeirada, mas talvez somente ela reconheça visto que não há de fato uma assinatura olfativa forte que ligue as 3 criações de fato.

Amyi III não propõe nada de novo e pelo menos não se gaba dessa vez a dizer que está fazendo algo inovador. A fragrância trás uma ideia minimalista, um conceito de uma fragrância amadeirada do começo ao fim, algo que na perfumaria de nicho e exclusiva tem sido trabalhado nos últimos anos. A marca e a perfumista, porém, se contradizem e novamente falta coerência. Amyi III teoricamente seria um perfume minimalista e monotemático mas é descrito como não linear, o que contradiz o conceito da fragrância. A perfumista o descreve como difusivo mas ao mesmo tempo intimista. É como se nem perfumista nem Amyi soubessem exatamente como querem vender essa ideia.

Na pele Amyi III é de fato o que deveria ter sido enfatizado de maneira direta e sem prolixidade, um perfume monotemática e minimalista de cedro. O cedro aqui é trabalhado de uma maneira luxuosa: o incenso trás um lado mais fresco e misterioso a ideia, o patchouli e o vetiver complementam sua faceta amadeirada e trazem mais nuances a temática principal. O cravo acrescenta um toque quente e exótico que parece complementar a ideia de incenso desse aroma amadeirado de cedro. E a fava tonka, segundo a perfumista, serve para fazer uma extensão de temática do cedro em uma direção mais amendoada.

Em outro momento de incoerência e confusão Amyi III inclue no seu corpo uma nota de heliotrópio e de Lilás e ainda que faça coerência dentro da fragrância a maneira como isso é explicado só confirma a falta de coerência que transparece a coleção. A ideia a princípio era fazer um perfume monotemático e minimalista, e do nada no conceito a perfumista explica que tem uma nota de Lilás para trazer um lado mais clássico, porém uma nota de Lilás trabalhada de maneira moderna. E aí fica a questão: o que isso tem a ver com a temática de cedro? Qual é o propósito desse lado mais clássico? E se o objetivo era trazer um aspecto clássico, por que então modernizar a nota de Lilás? Não há grandes explicações do cheiro da flor e do propósito dela aqui, o que é uma das várias falhas na primeira coleção da Amyi. Eu diria que são falhas graves para uma marca que propõe uma experiência educativa.