2 de jul. de 2020

Rochas Audace Parfum - Avaliação Perfume



Rochas é talvez dentre as grandes grifes clássicas uma das mais obscuras para o público em geral. Há perfumes do catálogo histórico da grife que são praticamente desconhecidos, belas criações feitas com a complexidade e o padrão de qualidade dos clássicos do passado. Audace é uma dessas criações, uma das primeiras a serem oferecidas por Marcel Rochas como um produto complementar às coleções de seus desfiles, e vendido apenas nesses eventos.

Descontinuado no período da Segunda Guerra Audace foi relançado em 1970 como um Chypre cuja a audácia me parece vir da tentativa, bem sucedida, de unificar elementos verdes e fougeres a uma estrutura chypre que põe ênfase no musgo e no aspecto seco da ideia. Audace não é um chypre simples, ou que se comporta da mesma forma sempre.

A violeta utilizada em sua criação possui tanto o aroma floral como o aspecto herbal da violeta e os dois dificilmente aparecem juntos na pele. Em um primeiro uso, Audace me pareceu uma criação floral delicada, um aroma adocicado de violetas com uma iris terrosa sob uma base com nuances de ambar e musgo. Só que há uma outra face de Audace, uma que é mais fougere, herbal e onde a violeta apresenta seu aroma herbal, metálico, de forma mais evidente, combinado com o  amargo do gálbano, o cheiro terroso e quente do musgo de carvalho, e o aroma mais amadeirado e seco do pinho.

Audace alterna entre essas duas personas, uma mais masculina e outra mais feminina, como se fossem duas representações distintas do mesmo perfume que estão unidas e se revelam conforme querem. Essa é para mim a maior audácia dele, um perfume que não se prende a evoluir apenas da forma como esperam que ele evolua, um perfume inteligente e com segredos a serem revelados.