10 de ago. de 2020

Boticário Botica 214 Jasmim & Patchouli - Avaliação Perfume



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Qualquer projeto, inclusive de perfumaria, é feito de um conceito, requisitos e execução. Claramente com Botica 214 a ideia do Boticário era tentar resgatar parte da sofisticação que a empresa tem ao longo dos anos perdido com os usuários em face de suas constantes reformulações e diminuições no volume dos frascos. É possível perceber também que o objetivo da marca era criar algo com características de nicho, e que se traduzem nos requisitos da composição: riqueza de ingredientes naturais, um frasco mais clássico, sofisticado e minimalista, foco em poucas notas, alta qualidade, concentração Eau de Parfum. A ideia é claramente trazer para o público brasileiro um perfume com características de nicho, porém infelizmente a execução do projeto acaba sendo confusa.

É difícil entender claramente por qual motivo a Boticário resolve celebrar com esse trio de fragrâncias um ano de aniversário que não corresponde a nenhuma data em específico e qual é a relação do projeto com a história da marca, soando mais como um pretexto para criar a coleção. A ideia de fazer uma eau de parfum certamente cria expectativas no consumidor que a marca não consegue atender, visto que nenhuma das composições é potente ou encorpada o suficiente se espera hoje. Eu diria que a marca também não percebe que seu público não é em sua grande parte consumidor de perfumes de nicho e exclusivos e criações que levam uma ou duas notas em marcas comerciais como Natura e Boticário não possuem essa associação luxuosa. Inclusive a Natura já tentou anteriormente, sem sucesso, criar uma coleção com características de nicho e que já foi descontinuada - a linha Essa Flor.

É uma pena que o projeto tenha sido conduzido assim pois mesmo que Jasmim e Patchouli não seja intenso e marcante como esperado é de fato uma fragrância que celebra um jasmim fino e um patchouli limpo e de qualidade. Apesar do nome deixar um implícito um perfume mais direto em sua temática Jasmim e Patchouli é mais complexo do que sugere. Sua saída tem um aroma frutal equilibrado, delicado e suculento, aproveitando bem a nuance mais frutada de um Jasmim que tende mais para o Sambac. Conforme evolui para o coração o perfume mostra um lado discretamente atalcado, algo que sugere tanto flor de laranjeira como violeta. O jasmim também se transforma, indo para uma direção menos frutada e com nuances amadeiradas. A base, por fim, é a última surpresa do perfume. O patchouli a princípio sugere um aroma chypre moderno, limpo e discretamente canforado, porém por trás dele surge um discreto toque de camurça, nuances balsâmicas e um acorde de musk com um tom animálico sutil, algo que me faz pensar distantemente em oud.

Há uma boa complexidade acontecendo por trás de Jasmim e Patchouli, o maior problema é que ou a marca não o concentrou o suficiente ou fez o que tem feito com a maioria dos seus perfumes - vende sem que eles envelheçam o suficiente. Isso faz com que esses detalhes secundários que tornam o perfume interessante só se destaquem quando se aplica generosamente a fragrância, o que certamente frustrará quem espera um edp onde poucas borrifadas fazem efeito. É um perfume elegante e delicioso, porém construído com uma identidade errada e confusa e que pode atrapalhar suas vendas, podendo levar à uma futura descontinuação.