21 de ago. de 2020

Nina Ricci Fille d'Eve - Avaliação Perfume



Eu estou tão acostumado a pensar que aromas animálicos se traduzem em algo mais sujo e difícil que este me surpreendeu quando tive a chance de usá-lo. Esqueça o que conhecemos sobre Nina Ricci de hoje, este é um perfume com pedigree clássico e totalmente diferente dos perfumes semi-juvenis que a grife tem lançado atualmente, apresentando um aroma mais adulto, sofisticado, bem trabalhado e complexo.

Fille d'Eve possue um aroma animálico entretanto um que passa uma sensação tenra e que remete mais a um filhote do que a um animal adulto. Essa faceta é o que o torna um chypre surpreendente, bem estruturado como os chypres clássicos entretanto com algo único e distinto que o separa de todo o resto. Ainda que a minha fração dele seja de um frasco vintage e que, por conta disso, o frescor das notas cítricas tenha se perdido em partes, é possível perceber a sua presença na estrutura, um aroma de folha de limão e fruto de limão que forma um contraste bem agradável com o aroma terroso de musgo que é, interessantemente, não tão denso na pele.

Entre essas duas pontas esconde-se um aroma frutal de ameixa, mais seco do que açucarado, que aparece de vez em quando nos primeiros momentos da evolução. Conforme o perfume se encaminha para a base o que permanece é o aroma musgoso, que forma uma dupla com um aroma animálico, levemente cremoso, que remete de alguma forma a produtos que costumam ter lanolina em sua composição (alguém o descreve no basenotes como com cheiro que remete a cabra, e para mim o que remete é a lã de carneiro e cabra).

Há sim uma nuance levemente suja nesse acorde, algo que remete a aroma de pele, entretanto o que prevalecce é a nuance mais delicada e tenra do aroma animálico. Eu gosto da história dele, é confortável em dias frios e mostra que, pelo menos no passado, os perfumes já foram distintos, mais elaborados e arriscados. É uma pena que para a perfumaria comercial isso se torne a cada ano mais passado que realidade de fato.