24 de ago. de 2020

Oriza L. Legrand Heliotrope Blanc - Avaliação Perfume



Ao reviver em 2012 a centenária casa francesa Oriza L. Legrand os seus novos donos fizeram isso de maneira a preservar o legado e essência da marca. Isso torna de Oriza L. Legrand uma espécie de cápsula do tempo ao passado, um tipo de perfumaria de nicho que é quase como uma preservação histórica e uma oportunidade de conhecer as fragrâncias e estilos de perfumaria do passado.

Heliotrope Blanc foi relançado em 2014 mas foi originalmente criado em 1886, no período artístico da Art Noveau, estilo que se reflete inclusive na estética atual da marca como um todo. Heliotrope Blanc reflete o início da química moderna, com a possibilidade de estender a palheta e estética do perfumista com moléculas sintetizadas em laboratório. Uma das primeiras foi a heliotropina, que apesar de não existir na flor heliotropo possui o cheiro de torta de cereja que é característico da flor. A heliotropina também possui nuances que a permitem ser facilmente utilizada com baunilha, amêndoas e em ideias balsâmicas, atalcadas e florais.

Heliotrope Blanc basicamente reflete todas essas facetas e é um clássico perfume de Heliotropina, algo que em estilo de composição fica entre um Guerlain e um Caron. Seu aroma abre com um aspecto atalcado, que emula o aroma de pó de arroz (curiosidade: Oriza é uma abreviação para arroz dourado). É um aroma vintage e chique, como se fosse uma volta no tempo a penteadeira de uma pessoa nobre européia.

Passado o aspecto atalcado, o perfume vai aos poucos ganhando as nuances de cereja e amêndoas típicas da heliotropina. Ao redor disso é construído um boquet floral que remete em partes à flores atalcadas e em partes ao aroma de flores amarelas e pólen devido a contribuição da flor mimosa. O aspecto amendoado e de cereja vai se fundindo a um aroma cremoso e quente de baunilha e do aspecto resinoso quente do benjoim, explorando a última faceta da ideia do heliotropo na composição. O perfume reflete muito bem o estilo artístico da época, algo equilibrado, que valoriza a complexidade e o orgânico mas que faz uma fusão do que é natural e do que é avanço da ciência da época.