25 de ago. de 2020

Oriza L. Legrand Oeillet Louis XV - Avaliação Perfume



O relançamento de um perfume muito vintage é muitas vezes uma questão complexa. Não depende-se apenas de ter a fórmula disponível em mãos, é necessário captar a alma do perfume e seu contexto e adaptá-lo a realidade atual, seja por motivos de regulação ou por avanços nos métodos de extração de óleos essenciais. Levando-se em conta isso a Oriza L. Legrand faz um bom trabalho de restauração da sua fragrância Oeillet Louis XV.

Uma homenagem ao rei Luís XV, um dos apoiadores da Oriza em seu nascimento no século 18, Oeillet Louis XV tem a sua temática centrada numa flor que era muito apreciada nos tempos antigos, a flor de cravo. Com uma mitologia de que tal flor teria nascido nos Locais onde a virgem maria teria derrubado lágrimas durante a crucificação de Jesus, a flor de cravo tinha um grande prestígio, tanto que o nome botânico de seu gênero significa Flor de Deus (Dianthus). A flor de cravo produz absoluto por extração com solventes, porém seu rendimento é baixo e em geral seu aroma é recriado na perfumaria por meio de sintéticos e outros materiais. Seu cheiro é um misto de um aroma picante, atalcado e de um floral de nuances vanílicas. Oeillet Louis XV centra-se nessas características e ressalta justamente o contraste entre seu lado aveludado e especiado, atalcado e quente.

O perfume aqui não trabalha com uma alta saturação de eugenol, o principal responsável pelo aroma de cravo da índia e da flor de cravo e um químico aromático muito restrito pelas regulações atuais. Utilizando o que é permitido pela lei e com o auxílio de outros sintéticos o perfume consegue trazer uma dose moderada e suficiente do aroma quente, seco e levemente medicinal do cravo. Ele é arredondado pelo cítrico da mandarina e por um toque de pimenta rosa, que serve para reforçar o aspecto picante da composição.

No centro da composição surge o aroma da flor, que é modelado ao redor de nuances de rosa e iris, o que confere um toque levemente atalcado e um floral mais retrô ao centro da fragrância. O aroma quente e picante de cravo continua presente, indo em uma direção ligeiramente mais verde. A ideia do pó de arroz acentua a iris e serve para fazer a ligação com o nome da marca, criando um aroma dourado de pó de arroz. De fundo o perfume sugere uma leve base balsâmica e com toques de baunilha e com a utilização de musks que ainda que sejam modernos conseguem acompanhar o toque retrô da composição. Oeillet Louis XV ainda que seja uma restauração moderna é inegavelmente uma fragrância dos tempos da aristocracia e uma boa representação dessa nobre e quente flor.