25 de ago. de 2020

Oriza L. Legrand Violettes du Czar - Avaliação Perfume


É interessante observar a data de lançamento original do perfume Violettes du Czar da marca Oriza L. Legrand. Criado em 1862 para celebrar a exclusividade de distribuição de perfumaria para a Corte Russa, certamente a versão original do perfume Violettes du Czar era uma fragrância cara de se produzir e com um alto volume de materiais naturais - a descoberta e produção dos sintéticos análogos ao aroma das violetas foi feita somente em 1893. Certamente a versão atual parte da fórmula original e incorpora os avanços da química para produzir um rico e opulento aroma de Violetas.

É dito pela marca que a fragrância utiliza violetas específicas da região francesa de Nice, conhecidas por terem um aroma mais fino, delicado e distinto, e que isso é combinado a um acorde mais viril e agressivo de couro russo, bálsamo e ambar. Na versão moderna é possível dizer que a marca pende o perfume mais para o complexo aroma das violetas do que do couro, mantendo o aspeco nobre porém tirando parte de sua agressividade e virilidade.

O perfume parece ter de fato um toque de violeta natural - um material de altíssimo custo dado o baixo rendimento da extração das flores. Ou se não há, o perfumista foi muito habilidoso então em combinar iononas e outros sintéticos ao cheiro da folha de violeta. Violettes du Czar é como um extravagante e aristocrático buquê de violetas. A saída é algo bem distinto, um aroma quase que animálico e que parece vir da própria flor.

Violettes du Czar abre com as nuances mais verdes da violeta e um toque animálico distante, como se sugerisse que as flores ainda estão vivas e úmidas. Há um cheiro intenso que remete a anis e folhas mentoladas, mas que não dura muito tempo e abre espaço para um leve toque das folhas - o aspecto que remete a pepino mas que é bem moderado e não chega a incomodar. Logo após ele surge o lado mais atalcado e adocicado das violetas.

A fase atalcada explora bem as ligação entre a iris e violeta, combinando as nuances das duas flores e levando o perfume a uma direção de um talco bem chique e sofisticado. A fase final mantém esse toque powdery adocicado e o estende a uma direção ambarada e de couro que surpreende por ser redonda - o couro parece ir mais numa direção camurça do que couro russo e as resinas apenas conferem uma doçura e cremosidade. A marca não lista sândalo na base mas o perfume parece criar a ilusão de um aroma cremoso de sândalo indiano. Violettes du Czar não é para todos, mas é certamente um perfume de violetas exuberante e muito distinto.