3 de ago. de 2020

Yves Saint Laurent Libre - Avaliação Perfume



Lançado em 2019 o perfume Libre é o primeiro perfume da YSL desde 2012 que não é um flanker de nenhum dos sucessos consolidados da marca e por isso a marca aqui investe grande em criar seu novo sucesso de vendas para o público feminino. Libre é mais uma fragrância que parece unir aroma e feminismo - sua fragrância é voltada para a mulher forte, ousada e livre e sua garota propaganda é a cantora Dua Lipa que ganhou grande popularidade justamente com uma música que dialoga com esses valores que a marca pretende vender dentro da fragrância.

Tirando os aspectos de marketing e propaganda, Libre é um dos poucos perfumes femininos da nova geração que propõe olfativamente uma mulher mais sensual, ousada e livre dos esteriótipos dos florais frutados de coloração rosa e personalidade fraca (exemplo: Lancome Idole). A mulher de Libre está de fato inserida nas tendências e isso é percebido principalmente na base de Libre, onde o lado mais gourmand predomina. Ainda sim, essa é uma fragrância que mescla elementos da perfumaria masculina e feminina, flerta com a perfumaria exclusiva e trás uma mulher que parece adotar todas as nuances florais, do inocente ao carnal.

Os perfumistas de Libre mencionam que a fragrância possui elementos fougeres e essa é uma maneira de simbolizar a liberdade e ousadia que o perfume deseja passar visto que essa é uma família olfativa praticamente exclusiva do público masculino. É interessante que a fragrância de fato traga isso, mas não de uma maneira óbvia: o lado mais aromático e fougere da lavanda e dos cítricos é combinado às nuances florais do jasmim, flor de laranjeira e a algo que também remete a ylang. O resultado disso me faz lembrar de dois perfumes florais aromáticos da Amouage que são bem sensuais e pouco conhecidos do público: Amouage Silver Man e Amouage Ciel Man.

Libre começa com uma leve doçura cítrica e silvestre devido a combinação da mandarina e da groselha. O aspecto floral logo surge e vem acompanhado da nuance fougere proveniente da lavanda. A princípio percebemos o lado mais amargo e verde do petigrain de laranjeira, depois as nuances mais sensuais e carnais do jasmim e um toque floral fresco de ylang e laranjeira. A lavanda é trabalhada de maneira a dar frescor e luminosidade as flores e não é a sua típica lavanda mais limpa.

Dependendo do dia que Libre for usado a sua identidade se altera na pele nos momentos finais de sua evolução. Em dias de calor o aroma floral ganha vida e exuberância e conduz rapidamente o perfume a uma base gourmand, onde uma baunilha adocicada e torrada se destaca em meio aos aromas amadeirados. No frio o lado mais aromático do corpo floral é evidente e o perfume evolui lentamente, sem grande ênfase no lado adocicado e com uma base mais musk e madeiras, o que acaba acentuando ainda mais o lado compartilhável da composição. É uma fragrância que consegue encontrar um meio termo entre a ousadia da Yves Saint Laurent do passado e o apelo comercial da Yves Saint Laurent do presente, sendo livre para ser as duas em vez de optar por ser uma só.