21 de out. de 2020

Jean Paul Gaultier Le Male - Avaliação Perfume

 


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Le Male é um daqueles clássicos casos da perfumaria onde o perfume se torna um grande sucesso comercial contra todas as chances de fracasso que poderia ter. Em 1994 esse seria o primeiro perfume do então estilista em ascenção Jean Paul Gaultier, sendo também o primeiro grande sucesso de um jovem perfumista que se tornaria muito popular: Francis Kurkdjian. E em uma década onde se estabelecia o aquático e o novo frescor perfumista e designer propõem juntos algo realmente arriscado, uma fragrância retrô com um ousado frasco de torso masculino homenageando a imagem clássica de um marinheiro.


Le Male surgiu de um conceito que Francis Kurkdjian chama de "suor limpo" e da ideia de uma sensualidade tal que você deseja morder a pele do homem que o usa. Ainda que tenha um caráter sensual, o perfumista não pretendia que fosse um perfume sujo, e sim um que trouxesse uma fragrância retrô, baseado no ritual de cuidados pessoais de um homem na década de 50 - uma abundância de lavanda, que aqui para trazer um efeito 'comestível' e macio é pareada com uma dose generosa de baunilha e um coquetel de musks.


É possível ver que 26 anos depois o perfume continua sendo um sucesso e relevante, trazendo seu acorde sensual e ao mesmo tempo clássico e retrô. É como se Kurkdjian tivesse se inspirado na estrutura fougere oriental de baunilha, lavanda e coumarina do clássico Caron Pour Un Homme, injetando nele uma dose considerável de cítricos, ervas e musks para tornar a ideia mais radiante e moderna.


A saída de Le Male trás um leve aspecto cítrico, uma rápida ideia que oscila entre cheiro de cardamomo fresco e casca de fruta cítrica recém cortada. Logo é possível perceber a estrela da composição, a lavanda trazendo um aspecto limpo e asseado que remete a um barbear clássico, porém sem o peso medicinal do cravo aqui. No lugar dele temos a menta e artemísia para prover um frescor herbal que remete a algo mais clássico.


Aos poucos surge a coumarina, trazendo um aspecto amêndoado e de grama fresca ao Le Male. Por trás dela surge uma dose generosa de baunilha e musks e um leve toque de canela, criando um aroma quente, adocicado, cremoso e aconchegante que sustenta e estende a lavanda por um longo período na pele. Kurkdjian utiliza um coquetel de musks na base de La Male, o que garante que seu aspecto segunda pele se comporte de diferentes maneiras de acordo com quem o usa. O que Le Male trouxe a época é justamente o que falta hoje na perfumaria comercial: fragrâncias arriscadas, com propostas atemporais e construções olfativas bem pensadas para serem distintas. E é por isso que ele é um sucesso até hoje.