28 de out. de 2020

L'Orchestre Parfum Neroli Flamenco - Avaliação Perfume


Alguns temas da perfumaria são como sabores básicos de sorvete dentro de uma sorveteria. Você sabe que a maioria das marcas terá pois vende bem e as pessoas avessas ao arriscado e diferente irão justamente no que é familiar. Entretanto, o básico deve ser feito com algo de especial e único para que se justifique a existência dentro de um negócio que se propõe a ser artístico, conceitual, exclusivo ou gourmet (no caso de uma sorveteria, é claro).


Neroli Flamenco para mim em termos de fragrância nada mais é que um sorvete básico e comum que se paga caro dentro de gourmetização absurda. O que há de sinestésico e novo em oferecer um Néroli luminoso, fresco, cítrico e amadeirado? Nada, a não ser a associação com uma caminhada ao entardecer guiado pelos arpégios de um guitarra flamenca. 


Mesmo a associação feita é rala: o que poderia ser um perfume sensual, tórrido e apaixonante para acompanhar o solo de uma guitarra flamenca vira um cítrico floral fresco. Não há nada de errado com ele, exceto o fato de já ter sido feito à exaustão e a L'Orchestre não acrescentar absolutamente nada de novo. Temos aqui um néroli com um floral mais clássico e uma leveza cítrica mais moderna, apoiado numa base amadeirada leve e transparente. É bem executado porém tedioso, nem um pouco criativo e nada excepcional nem em termos técnicos. É um básico cobrado caro e travestido de conceitual.