19 de out. de 2020

Quinarí Cosmos e Zion - Avaliação de Perfume Natural

 



Ainda que não seja tão conhecida do público em geral a Quinarí é uma das empresas mais respeitáveis e antigas dentro da comercialização de OEs no Brasil, atuando no mercado desde 2002. Aproveitando o momento atual onde as pessoas tem se preocupado e buscado mais produtos naturais no mercado a Empresa criou sua primeira coleção com uma tarefa ousada: oferecer perfumes 100% naturais a um custo acessível, o que é difícil dado o preço que muitas materias primas podem atingir. Para tal tarefa a marca contou com o desenvolvido de Ane Walsh, uma das principais perfumistas artesãs de nosso país e professora na Natural Perfume Academy.

O Projeto da Quinarí é voltado, ao que tudo indica, numa tentativa de democratizar um perfume que seja de fato 100% Natural, o que lhe faz ter um frasco e embalagens bem simples e um foco maior na formulação em si. Para o público que já conhece aromaterapia e OEs não terá grandes desafios aqui, porém para o consumidor que não está acostumado com o que é de fato perfumaria natural pode se espantar com o que é entregue.

Cosmos é uma das fragrâncias da Quinarí voltada para o público masculino e que e cujo o termo em grego significa "bem ordenado", sendo a palavra utilizado para representar o universo. A marca conduz o consumidor em uma expectativa perigosa ao descrevê-lo como composto por notas etéreas, pois sua fragrância não possui nada de etéreo. Se há algo que parece ser Capturado aqui é um aspecto negro e denso do Universo, representado primariamente por uma dose generosa de vetiver natural e terroso. 

Temos bastante cítricos naturais aqui, que certamente tem o objetivo de representar o etéreo porém acabam sendo de certa forma brutos em seu aroma: ao mesmo tempo que há um frescor também nota-se um cheiro pungente e até mesmo meio amargo. Entre eles desenvolve-se um corpo primariamente de gerânio e folha de louro, o que em partes dá um aroma mentolado e um pouco sanitário à composição e em partes lhe acrescenta um aspecto bem aromático e intenso. Passado essa fase o perfume se torna amadeirado, terroso e mais calmo. É como se acompanhássemos no perfume o nascimento do Universo, uma explosão de escuridão e luz que é difícil a princípio mas se torna mais contemplativa e serena ao longo do tempo.

Zion mantém uma temática mais ancestral na linha masculina da Quinari, porém em vez de mirar para o Universo dessa vez mira para a terra prometida, a famosa Sião dos Judeus, o monte Sião tão mencionado na Bíblia. A ideia da marca e da perfumista aqui é trazerem notas marcantes de terra, madeira e cedro e ter um propósito mais profundo, o de estabelecer uma harmonia mais intensa com o seu próprio eu, o nosso lado mais sagrado.

Certamente Zion é um perfume bem amadeirado e terroso, porém é outra fragrância ousada da Quinari e que pode também assustar um pouco o público masculino pela sua exuberância. Estamos diante de uma Terra Sagrada onde o espiritual e o sensual se conectam em harmonia. Há uma saída exótica, especiada e gelada onde o anis e o junípero estão rodeados por um exótico uso de ylang-ylang, o que dá um lado mais sensual, indo para o narcótico e bem diferente em um perfume masculino. Conforme o ylang se dissipa é possível perceber o lado mais sagrado, o aspecto incensado, de frutas secas e couro da mirra, cercada por uma dose generosa de patchouli, cedro e vetiver, a parte mais amadeirada e sóbria da evolução. Zion é mais exótico mas também é uma fragrância confortável e bem harmônica passando os momentos mais intensos e diferentes da saída.