20 de out. de 2020

Quinarí Iris e Gaia - Avaliação de Perfume Natural

 


Se você observa no detalhe a primeira coleção de fragrâncias da Quinarí percebe que há bastante trabalho aqui para entregar algo coerente e que seja um primeiro contato com a perfumaria natural trazendo uma mensagem. As fragrâncias podem ter um certo ar mais bruto em suas saídas porém todas as 4 buscam uma assinatura coerente, uma mensagem a ser passada e um princípio de trazer benefícios aromaterápicos mesmo que isso não esteja declaro explicitamente na proposta.

Íris poderia ser uma das fragrâncias da Quinarí que causaria confusão devido ao nome, entretanto cada fragrância explica em sua embalagem qual é o conceito proposto. Aqui temos uma continuidade dos temas clássicos e mitológicos, explorando a Deusa mensageora Íris. Conhecida por deixar um rastro multicolorido nos céus (o arco-Íris), a ideia por trás dessa composição não é homenagear a flor de mesmo nome e sim trazer um multicolorido floral e alegre. Íris é também um dos que deixa explícito seu foco aromaterápico, tendo o objetivo de purificar a energia e trazer algo radiante.


Percebe-se em Íris o uso recorrente de outros OEs naturais que dão uma espécie de assinatura olfativa à coleção, como o Junípero e o patchouli. Eles são usados junto com cítricos, especiarias, incenso e flores para que tenhamos o máximo possível de cores para representar o arco-íris. Estruturalmente Íris me faz pensar em uma Cologne clássica, uma que poderia ser perfeitamente compartilhada entre ambos os sexos. Seu aroma começa com uma forte dose de um herbal bem amargo de petigrain em contraste com o aspecto fresco e intenso do anis e o cítrico da mandarina.

Sua evolução dá espaço para um lado floral verde e semi-fougere e sua fragrância termina em um amadeirado terroso com toques de incenso. É como se Íris trouxesse uma dose de energia para purificação e depois trouxesse calma e aterramento de energias ao utilizar algo mais amadeirado e incensado em sua finalização. É certamente uma fragrância interessante para mulheres que fogem dos clichês do que é um perfume feminino.


Gaia é de certa forma uma contrapartida feminina para Zion, apenas mudando o foco da inspiração e das notas. Voltando-se para a mitologia grega, temos aqui também uma homenagem à Terra, porém em vez de ser a terra prometida é personificação divina do próprio planeta Terra. A ideia de ambos gira ao redor de algo amadeirado e terroso e ambos trazem o ylang como um caráter sensual a esses espaços sagrados, entretanto são dois caminhos totalmente diferentes de exploração do natural e sagrado.


Gaia começa com um aroma bem quente e adocicado que remete imediatamente a canela. A Canela acaba servindo para suavizar os lados mais exóticos e complicados do ylang, que dessa forma adquire aqui um lado mais aveludado ainda que narcótico, como se abrisse espaço para suas nuances verdes e levementes frutadas. A Lavanda e o manjericão acrescentam um aspecto aromático e fresco a essa quente mistura e equilibram as energias, preparando o perfume para a base. Na fase final temos um patchouli que parece ser do tipo envelhecido pois trás um aroma terroso quente, levemente adocicado e muito equilibrado, como se suas partes mais complicadas tivessem amansado com o tempo. Há o que parece ser nuances de incenso e ambar ao redor do patchouli, finalizando uma interpretação muito sensual e delicada da Mãe Terra e entregando um dos melhores da coleção da Quinarí.

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