5 de nov. de 2020

Boticário Egeo Spicy Vibe - Avaliação Perfume


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De todos os lançamentos que a Boticário fez em 2020 a dupla Egeo Vibe é o mais honesto e redondo quando se olha conceito, fragrância, performance e custoXbenefício. Talvez não seja o perfume mais esperado da marca visto que a linha Egeo não é a mais prestigiosa da empresa. Entretanto, vale a pena reconhecer aqui que não temos conceitos tecnológicos que não servem para nada (Coffee Sense), que não temos ingredientes exóticos fantasia (Malbec Flame), nem muito menos exageros quanto a processo criativo de desenvolvimento (Liz). 


Egeo Vibe é o mais honesto possível e o público não está errado em entendê-lo como uma espécie de continuação do sucesso da dupla Egeo Bomb. Afinal, assim como em Bomb temos mais uma vez fragrâncias intensas e explosivas mas que dessa vez são exploradas pela perspectiva de contrastes que se complementam e harmonizam - opostos que se atraem, a baunilha e a pimenta. As fragrâncias são inclusive feitas para dialogarem entre si e serem usadas em layering caso o usuário assim desejar.


Egeo Spicy Vibe explora mais a perspectiva da pimenta negra na dupla com a baunilha e trás partes do seu par complementar representado por uma baunilha amadeirada e defumada. Temos aqui a experiência do perfumista Maurice Roucel em trabalhar com qualidade e excelência mesmo em projetos comerciais e de massa e Roucel não decepciona em encaixar todos os protagonistas em um excelente perfume fougere oriental.


Spicy Vibe faz o que Liz é incapaz de fazer, que é explorar semelhanças olfativas com outras fragrâncias sem que soe uma cópia ou mescla de perfumes. Maurice Roucel parece trazer elementos de seu perfume Rochas Man - o lado fougere vanillico - e de alguma maneira incorpora aspectos de outro clássico masculino moderno, o perfume Body Kouros. A esses aspectos é integrado o conceito da baunilha defumada, que acaba remetendo a doçura vanílica de Egeo Bomb Black, porém de uma maneira mais sutil e equilibrada.


Na Saída Spicy Vibe traz um excelente acorde cítrico, um que gira ao redor da grapefruit e explora seu aspecto mais ardidinho e sua conexão amadeirada com o vetiver. A pimenta logo surge e trás um aroma especiado seco e levemente incensado, uma maneira de já preparar o conceito de baunilha defumada que surgirá depois. Na evolução temos o aspecto mais fougere da composição, que explora a cremosidade e frescor do cardamomo como fazendo o papel da lavanda na estrutura fougere. O gerânio trás parte do lado mais verde e herbal de um fougere e de alguma maneira o coriandro e a sálvia com o gerânio parecem criar a ilusão de um lado mentolado que remete distantemente ao perfume Body Kouros.


A parte da baunilha e o lado mais gourmand da composição permeia a estrutura de Egeo Spicy Vibe e faz com que em alguns momentos ele remeta mais a seu irmão Egeo Bomb Black e em outros momentos parece uma iteração do Rochas Man porém sem o aroma do café, pondo mais ênfase nas madeiras. Há um certo aspecto de açúcar queimado e caramelo que parece persistir em Spicy Vibe de maneira secundária, como se fosse uma ponte para garantir o sucesso com o outro lado da dupla. Temos tudo isso em um perfume que fixa e projeta bem e que não custa mais de 100 reais fora de seu preço promocional. Ainda que não seja ousado é uma combinação ganhadora em todos os aspectos possíveis e a Boticário está de parabéns pelo trabalho feito.