5 de nov. de 2020

Boticário Egeo Vanilla Vibe - Avaliação Perfume

 



Adquira o decant com 5% de desconto (PDDEGUIDO5): https://rb.gy/yot4xp


Trabalhar com fragrâncias onde a baunilha está como protagonista da composição é algo simultaneamente popular e traiçoeiro ao mesmo tempo. A baunilha é um clássico da perfumaria, com seu aroma adocicado, cremoso e redondo  que é popular, agrada e que possui inclusive ligação psicológica com os primeiros momentos da infância, com a ligação entre bebê e a mãe. Porém há uma diferença entre a ideia artificial e industrial da baunilha e seu aroma mais natural, obtido por meio de tinturas alcólicas das favas de baunilha ou por meio da extração de seu aroma via solventes especiais. Muitos conhecem apenas a baunilha de seu aroma mais açúcarado e cremoso e poucos a conhecem com suas nuances licorosas, levemente amargas e até mesmo animálicas.


Um dos principais pontos de "problema" dentro de Egeo Vanilla Vibe é a aposta justamente em uma baunilha que foge o óbvio da baunilha mais artificial e industrial, aquela bem doce, cremosa e açúcarada que muitos conhecem e amam. Chega a ser até irônico que justamente um dos perfumes onde o Boticário foge do óbvio e do clichê a empresa seja criticada por isso por uma parte do público. Mas é o que acontece aqui com o conceito da fragrância, que busca o que a marca chama de doçura da baunilha artesanal e que na prática está mais próximo do aroma alcóolico, licoroso e redondo da tintura de baunilha.


Outro ponto de "problema" que eu vejo em Egeo Vanilla Vibe é não ter sido criado pelo mesmo perfumista que fez Spicy Vibe. Como o objetivo aqui é criar opostos que se complementam e explorar isso nas duas fragrâncias Vanilla Vibe poderia ter mais entrosamento e proximidade com Spicy Vibe se tivesse sido criado por Maurice Roucel. Não que Emilie Copperman não faça um bom trabalho, mas sua abordagem parece mais sutil, com menos contrastes de fato entre o aspecto da baunilha e da pimenta. O resultado final ainda dialoga entre doçura e picância mas não entrega uma sinergia perfeita.


Vanilla Vibe é, conforme dito anteriormente, uma baunilha que foge uma doçura explícita e açúcarada e isso precisa ficar claro desde o começo para quem irá apreciá-lo. A sua saída é o mais próximo que se tem do aroma da tintura de baunilha, trazendo um aroma licoroso e alcóolico que remete distantemente a perfumes como Guerlain Spiritueuse Double Vanille, Gloria e o Eau des Missions. Um aroma discreto de frutas vermelhas acompanha essa primeira fase licorosa de baunilha e forma um belo contraste junto com o aspecto sutil cítrico.


Num segundo momento Vanilla Vibe vai numa direção mais cremosa de baunilha, porém optando por explorar isso pelo aspecto lactônico e frutado do coco, o que talvez mascare o protagonismo da baunilha na evolução. O aspecto floral da rosa e do muguet não é muito evidente e talvez seja mais utilizado para sugerir um colorido floral a ideia de baunilha em si. Na base é que o lado mais cremoso da baunilha aparece, porém de maneira discreta, o que dá a impressão de que a marca utilizou vanilina (mais cremosa e suave) em vez de etil vanilina (mais açúcarada e potente) para essa última fase da fragrância. 


O aspecto apimentado meio que se perde em Vanilla Vibe. Na saída mistura-se facilmente com as frutas vermelhas e tem seu protagonismo diminuído com a presença do lado licoroso da baunilha. Na base aparece de uma maneira discreta, como se acrescentasse um toque picante e levemente incensado à baunilha cremosa que perdura na pele. A performance não acaba sendo tão boa quanto a de Spicy Vibe e mesmo que Vanilla Vibe tenha suas fraquezas sua fragrância ainda dialoga com Spicy Vibe, é honesta com a proposta da marca e entrega uma boa baunilha de ótimo custoXbenefício