23 de nov. de 2020

Paco Rabanne Dangerous Me - Avaliação Perfume

 


A nova coleção de fragrâncias da Paco Rabanne se encaixa bem com o espírito iconoclasta, inovador e pop da marca. Denominada de Pacollection, mesmo que os perfumes em si não sejam ultra-inovadores a proposta como um todo é: frascos feitos de um plástico metalizado que simulam metal se inspiram em artistas como Jeff Koons e Andy Warhol para criar uma pop art olfativa e propositalmente artificial. As fragrâncias acompanham esse espírito de pop art e a forma como a coleção é posicionada desafia também os limites entre perfumaria comercial e exclusiva, oferecendo itens conceituais de uma maneira mais leve e direta a um público jovem.


Dangerous Me acompanha o desejo do diretor criativo da Paco Rabanne de ter uma coleção livre e forte na combinação dos ingredientes, onde nada fosse super natural e tivesse em si um lado artificial ou químico, como se buscando uma outra idea do que seria o luxo em si. Vale a pena lembrar que históricamente Paco Rabanne se valeu dessa abordagem em sua moda ao propor materiais que não eram utilizados em alta costura (exemplo: metal). A ideia em Dangerous Me é trazer uma tatuagem olfativa para a pele, uma mistura de tinta, baunilha, ambergris, gengibre e cedro.


A fragrância está dentro da ideia de uma pop art e se mostra um produto fácil de ser consumido e reproduzindo esteriótipos da perfumaria comercial. Isso não significa, porém, que não haja detalhes interessantes nessa tatuagem olfativa. Em especial a fragrância chama a atenção com um gengibre bem realista, capturando o lado cítrico, as nuances picantes e até mesmo o aspecto terroso e de raiz das fibras do gengibre. Isso é justaposto a uma base amadeirada aguda e sintética que é distorcida para fazer o papel de tinta na pele, uma mistura de ambars sintétios, patchouli e cedro. Entre tais elementos encaixa-se uma baunilha cremosa, delicada e que amacia a composição. Há uma certa contradição aqui na forma como Dangerous Me parece ser uma fragrância amável e fácil de ser usada, bem longe de algo realmente perigoso. Mas talvez isso faça parte de uma visão mais jovem e pop/consumista da ideia e dentro do conceito de art pop a ser consumida Dangerous Me é perfeitamente delicioso.