7 de fev. de 2021

Christian Dior Diorella Vintage - Avaliação Perfume


É bem claro para mim desde o começo que Diorella é a irmã mais nova de Eau Sauvage (já que Eau Sauvage foi criado 4 anos antes), mas minha impressão é que Edmond Roudnitska a fez mais bonita, perfeita e redonda que o seu irmão mais velho. 

Diorella, personificando, é o tipo de mulher que consegue ser inteligente, sensual e amigável, uma que consegue se destacar e brilhar mesmo que ela esteja cercada de outras mulheres tão bonitas quanto ela. Me intriga o quão complexo e simples ele é ao mesmo tempo, com aromas florais, frutais, cítricos, herbais, musgosos e amadeirados justpostos em perfeição. 

A estrela desse perfume para mim é o aroma floral do qual a molécula hedione tem um papel importante. Ele me remete, nessa composição, a uma idéia purificada e mais abstrata da alma de determinadas flores brancas e sensuais como jasmim, gardênia e lírio do vale. É um acorde abstrato que eu identifico em diferentes intensidades em cada uma das construções dessas flores em perfumes, sendo a utilizada no lírio do vale a que eu raramente suporto. 

É um aroma suave, branco, com uma impressão floral quase remetendo a cera e um aroma de floe de nuances verdes, o que me surpreende em Diorella por ser tão sensual e tão relaxado ao mesmo tempo. Essa construção floral é, para mim, a alma de Diorella, e todo o resto gravita ao seu redor. 

O que a antecede é uma abertura cintilante de um acorde de aromas cítricos e herbais que domina a pele pelos primeiros minutos, formando uma primeira impressão refrescante. Logo após ele vem um acorde abstrato que mais se assemelha com o aroma de jasmim verde, apoiado por nuances frutais que as vezes se destacam e suavizam o aroma floral. Eu desejava que o aroma de pêssego que aparece repentinamente nesse momento durasse mais na pele, pois ele é muito bonito e se combina incrivelmente bem com o jasmim/hedione. 

Diorella não é tão intenso em mim e após mostrar essa primeira hora sensual e arrendondada ele relaxa para uma evolução que exige menos, que retém parte do aroma herbal-cítrico, da sensualidade floral e os mistura com um fundo musgoso e amadeirado discreto, quase salgado, que chega emular na pele um aroma de couro ou, talvez, o cheiro de pele também. Edmond Roudnitska é um gênio e esse talvez seja um dos seus melhores perfumes por conseguir unir tanta coisa de forma tão sinfônica e perfeita.