1 de mar. de 2021

Cartier Les Heures de Parfum III L'Heure Vertueuse - Avaliação Perfume


Em L'Heure Vertueuse  Mathilde Laurent parece capturar exatamente um estudo em união de perfumaria primitiva e moderna. A inspiração oficial é listada como a captura do aroma de um jardim, de suas ervas selvagens, representando o renascimento (no caso, da perfumaria). A perfumista tentou manter o frescor das ervas utilizadas na composição: absinto, tomilho, verbena, lavanda, rosmarinho e murta. 

Testando na pele percebe-se que a perfumista é bem sucedida pois o perfume mantém em boa parte de sua evolução o frescor das ervas em vez do aspecto mais seco e amargo. Na abertura, há algo que dá a composição um aroma que remete a um gel de banho feito de aloe vera, impressão que não perdura na pele, abrindo espaço para o aroma do absinto, para o cheiro herbal abstrato e fresco, uma combinação de tomilho, verbena, absinto e murta. 

A forma como a Mathilde trabalha com os aromas verdes é abstrata, um minimalismo que mantém a essência das ervas mas que procura combinar suas essências verdes para criar um panorama de um jardim predominantemente herbal, onde a lavanda funciona como um ponto herbal de encontro. O que eu sinto que falta talvez em L'Heure Vertueuse é um começo, meio e fim em sua inspiração. 

O perfume soa como um belo acorde, um estudo a ser desenvolvido com uma base mais complexa - como se nesse renascimento ela não existisse ou não pudesse ser bem feita. É como se ele fosse feito de belas e refrescantes notas de saída e coração, sem uma base clara. É um renascimento que ao mesmo tempo que mostra possibilidade de continuidade da perfumaria deixa uma incerteza do quanto perderemos ou ganharemos com esse renascimento.