2 de mar. de 2021

Cartier Les Heures de Parfum VII L'Heure Defendue - Avaliação Perfume


A Sétima hora da coleção da Cartier conhecida como a Hora Proibida impressiona-me mais pela execução em si do que pela novidade da combinação. L'Heure Defendue se apoia principalmente em patchouli e cacau e por conta disso as comparações com perfumes como Chanel Coromandel e Serge Lutens Borneo 1834 são inevitáveis. 

O que faz com que L'Heure Defendue se destaque é a capacidade de atingir um aspecto sedoso, suave e natural sem perder o lado negro do cacau e do patchouli. Provavelmente quem gosta da saturação amarga de chocolate no Borneo 1834 ou do aroma ambarado, resinoso e intenso de patchouli do Coromandel não irá gostar do L'Heure Defendue. Para mim, entretanto, os pequenos detalhes são charmosos, elegantes e o equílbrio o torna mais usável que os seus predecessores. 

L'Heure Defendue inicia com um delicioso aroma negro de cacau, que remete a um licor, e aos poucos o aroma do cacau vai suavizando, como em uma escala degradê de aroma, acompanhado por um aspecto vegetal terroso interessante, graças a Iris combinada a ele. Após uma meia hora o patchouli se destaca, ao estilo do encontrado em Coromandel. É um aroma amadeirado, atalcado, um pouco amargo, porém sem o peso do patchouli, acompanhado por uma delicada aura resinosa que envolve a pele e é bem aconchegante. 

Há algo controverso aqui devido as similaridades, porém para mim o que é entregue é uma obra de arte, feita exatamente como um relógio artesanal. L'Heure Defendue é uma máquina complexa, de pequenos detalhes que permanecem escondidos ao olho nu transparecendo uma simplicidade elegante não tão fácil de se atingir.