31 de mar. de 2021

Memo Paris Moroccan Leather - Avaliação Perfume


Eu acho esquisito e exagerado a maneira que a Memo descreve suas fragrâncias e eu me pergunto como isso pode ajudar o consumidor leigo a entender o aroma sendo que mesmo tecnicamente já é difícil de extrair algo de útil da verborragia aromática que surge de ideias como "um apogeu de iris, uma chuva de ylang-ylang". Eu chego até a me questionar exatamente o que a pessoa que escreveu esses textos cheirou antes de descrever os perfumes.

Passando por cima do texto das memórias que levaram a criação de Moroccan Leather é possível chegar à inspiração, uma espécie de ilusão olfativa que reproduz o aroma de couro por meio de elementos como iris, flor de laranjeira, gálbano, musk e fava tonka. Muitas notas são similares a outro sucesso da marca, o perfume Italian Leather. É como se a Memo trouxesse a abordagem mais abstrata e solta de outros perfumes da linha (French Leather, African Leather, Russian Leather) para uma interpretação mais fiel aos perfumes tradicionais de couro.

O resultado surpreendentemente funciona muito bem e revela finas nuances conforme essa miragem se descortina na pele. A princípio o aroma mais herbal do gálbano se destaca e remete a uma ideia mais clássica de um couro vegetal e resinoso. Porém a interpretação é mais area justamente como se tentasse criar essa ilusão de um couro clássico por um uso bem discreto do lado mais resinoso do estoraque. A iris consegue uma interessante dualidade entre a maciez e delicadeza de um acorde mais atalcado de iris e o aspecto mais vegetal da raiz de iris, reforçando uma ideia de couro clássico mais vegetal. As flores são secundária e trazem um toque sensual e redondo da mesma maneira que tonka confere um leve aspecto adocicado. 

Vetiver e cipreste acabam aparecendo como notas amadeiradas que complementam a ideia do couro junto com um toque ambarado e um aspecto de musk que arredonda a composição e ressalta o lado mais macio da ideia. Moroccan Leather é um exercício interessante de equilíbrio entre uma ideia mais clássica e uma mais moderna e enaltece bem seus protagonistas. Recomendo desconsiderar as memórias conceituais da marca, pois elas não ajudam em nada o entendimento do perfume.