18 de mai. de 2021

Arte Profumi Sucre Noir - Avaliação do Perfume


É difícil definir um objeto em termos artísticos, ainda mais no nosso mundo contemporâneo que valoriza a produção em massa e onde a hiperconectividade nos torna sempre conscientes e influenciados por tudo que está ao nosso redor. Para dificultar, vivemos tempos onde o que é familiar e que  nos traz a sensação de conforto tem mais valor do que o que é unico e nos provoca estranhamento e reflexão.

Começo falando isso de Sucre Noir pois me vi repelido pela ausência de originalidade em seu aroma. Eu vejo no site uma marca que se diz preocupada em usar a perfumaria como meio de expressão de arte mas quando sinto o perfume em si ele me ativa um modo cínico, onde não vejo sinceridade no que é dito e transmitido. Porém a arte em sua definição mais simples possível é a forma de comunicação e os meios que são pretendidos pelo artista em si.

Em Sucre Noir aparentemente o que se pretende comunicar pelo que a marca descreve é um aroma provocativo e pertubador que envolveria e levaria direto a memórias de infância, a um período onde o Eu mencionado no texto é cativado pela doçura. Para mim essa mensagem se perde em partes. Sucre Noir não possui nada de provocativo ou perturbador, a não ser é claro que você se sinta perturbado pelo aroma de uma baunilha em todas as suas nuances e texturas. É uma fragrância simples, que utiliza absoluto de baunilha com nuances de orquídea e um toque de açúcar queimado. O aroma é simples e remete a outras fragrância já existentes: Tihota Indult e Montale Vanilla Absolue me vêm a mente quando sinto o cheiro de Sucre Noir na pele. Eu consigo apreciar Sucre Noir? Sim, porém apenas quando me dispo do que eu conheço e da expectativas do que é arte. Com essa camadas de entendimento eu só consigo ver mais um produto feito pensando em marketing ou influenciado pelo que já existe. E por 225 euros isso não me satisfaz, ainda mais quando seus similares custam menos que isso.