3 de jun. de 2021

Condé Bois d'Orange - Avaliação Perfume


Vídeo disponível: https://www.youtube.com/watch?v=LBey-YkhJms

Adquira o decant com 5% de desconto usando PDDEGUIDO5: 
https://guidodecants.com.br/produtos/bois-dorange-conde-parfum/

Adquira o perfume diretamente com a marca:
https://www.condeparfum.com/produtos/bois-dorange/

Quando se fala em perfumaria de nicho e perfumaria de indie há uma ideia pré-concebida de que perfumaria de nicho precisa ser cara e perfumaria de indie precisa ser desafiadora. Ambas de fato podem ser isso e podem ser outras coisas porém não são essas características que as definem. Uma perfumaria de nicho é mercadologicamente falando uma perfumaria segmentada para atender necessidades de um grupo bem específico. E perfumaria indie acaba sendo como se fosse um nicho do nicho, uma perfumaria que reflete a visão artística e pessoal da pessoa que cria a marca, que muitas vezes é um artesão e também é responsável por todos os outros aspectos da marca.

Bois d'Orange pode parecer um dos perfumes mais comerciais do Fábio Condé porém na definição do que é uma perfumaria indie é talvez uma de suas fragrâncias mais adequadas ao conceito. Bois d'Orange reflete Fábio Condé em seu amor tanto pelos cítricos como pelas madeiras, refletindo sua personalidade alegre, viva e energizante (ou pelo menos a pessoa que eu conheci e que me passou essas características).

Bois d'Orange é também um perfume criativo mesmo que pareça familiar. Condé reverte a lógica das criações e move os cítricos da primavera/verão para o outono. É uma ideia inteligente e interessante, pois ao associar o cítrico a cor laranja ele captura muito bem uma sensação sinestésica da cor laranja e da transformação do calor e vida intensa do verão para o estado transitório e contemplativo do outono.

Bois d'Orange tem um estilo mineral e cítrico que me remete a uma fusão de elementos das fragrâncias da Hermès, em especial Eau d'Orange Verte e Terre d'Hermés. Há algo também que é familiar a outro perfume da marca, Cologne Bleue. Porém ao passo que Cologne Bleue sempre me pareceu artificial em seu aspecto limpo e fresco em Bois d'Orange eu vejo muito conforto em seu aroma cítrico.

A saída é uma explosão de diferentes tonalidades de laranja, uma cornucópia de sensações cítricas. É possível perceber o aroma meio amargo de laranja combinado a um aroma mais suculento de laranja adocicado, com um aspecto mais frutado da tangerina. A bergmota é utilizada para equilibrar os cítricos, a lima acrescenta um leve toque que remete a limão siciliano e há um uso de aldeídos aqui para elevar os cítricos e trazer brilho.

Na transição a fragrância modula a sensação cítrica focando no petitgrain, uma extração por vapor das folhas da laranjeira e que tem um aroma entre um floral amargo e um verde cítrico. Ruibarbo e estragão acentuam o aspecto mais herbal da ideia ao passo que o toque apimentado e mineral da pimenta rosa e do elemi preparam o caminho para  a etapa final.

Na última fase Bois d'Orange finalmente perdeu suas folhas alaranjadas e beges e as árvores estão desnudas em sua coloração amadeirada mais marrom. A ideia é transmitir isso de uma forma mais abstrata e mineral - eu suspeito que haja uso de vetiver natural amparado por iso e super e pelo musk para conferir um equilíbrio entre o lado mais bruto do natural e a suavidade do sintético. A madeira de guaiac confere um leve toque defumado ao passo que o cedro complementa o colorido da floresta com seu aroma amadeirado seco e levemente incensado. Ainda que Bois d'Orange não seja intenso na evolução ele permanece na pele durante muitas horas e reaviva conforme o calor da pele. É um trabalho muito bonito do Fábio Condé e talvez uma de suas fragrâncias mais fieis a essência do Fábio como indivíduo.