28 de jun. de 2021

Hermès H24 - Avaliação do Perfume

 


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Antes dos perfumes Bleu de Chanel e Sauvage dominarem a perfumaria masculina a Hermes se consolidou como uma importante marca nas tendências comerciais com o lançamento do perfume Terre d'Hermes em 2006, um amadeirado mineral com um aspecto cítrico que conquistou o coração do público masculino. 15 anos depois a marca mais uma vez propõe um novo pilar que procura influenciar uma nova geração de usuários e provavelmente ditar o que será a tendência da perfumaria masculina na próxima década.

Eu diria que H24 é interessante mais pela narrativa construída ao redor dele do que o perfume em si. O projeto parece ser construído por um empresa consciente do que gerações mais jovens querem conhecimento, transparência e uma preocupação com o meio ambiente. Por isso H24 foi bem divulgado entre mídias especializadas, colocando a perfumista Christine Nagel como protagonista em explicar sua liberdade criativa e suas inspirações. E ela nas entrevistas faz questão de enfatizar o como a marca tem trabalhado com ativos de origem natural, ativos sustentáveis e sintéticos de qualidade para compor esse resultado final.

H24 é uma fragrância aromática verde mas poderia tranquilamente ser uma espécie de fougere aromático de vanguarda. Sua espinha dorsal gira ao redor de um componente pouco explorado na perfumaria comercial até o presente momento: Sclarene. Um composto naturalmente presente na sálvia esclaréia o sclarene é o ponto de síntese do conhecido sintético ambroxan. Seu aroma é descrito como verde, amadeirado, ambarado e terpênico, com nuances de sálvia. O Sclarene é basicamente uma proeza de química moderna, uma molécula química que é extraída a partir de fontes naturais.

A forma como o Narciso é trabalhado nessa fragrância também é um trunfo da química moderna e contemporânea. Por meio de destilações moleculares a perfumista 
trata a nobre e cara flor de uma maneira que fique palatável ao público masculino e que mantenha o aspecto sofisticado da mesma. O lado mais agressivo e denso da flor é cuidadosamente tratado para que suas nuances verdes e delicadas se encaixam dentro da proposta criada.

De uma maneira inteligente, o lado aromático e que beira o fougere aqui é construído de maneira natural e sustentável utilizando-se a madeira de pau-rosa obtida de maneira sustentável. O pau-rosa é um velho conhecido da perfumaria pelo seu alto teor de linalol e de acetato de linalila. Isso dá ao pau-rosa um aroma refrescante, levemente adocicado e com um fundinho amadeirado. E certamente com semelhanças olfativas distantes com a Bergamota e Lavanda, dois materiais naturais também abundantes em Linalol.

H24 usa de um toque aldeídico para trazer o tom de alfaiataria, seguindo por uma saída frutal verde e suculenta. O aroma do narciso é cristalino e delicado, um tipo de floracidade que não irá soar desconfortável ao homem ao mesmo tempo que trará uma elegância inusitada. A madeira de pau-rosa confere o frescor aromático esperado de uma maneira mais natural ao passo que o Sclarene traz um aspecto mais rústico e aromático. A marca não dá mais noções das outras notas mas eu diria que de fundo é construído um aspecto amadeirado vegetal que sugere o aroma de cedro e parece fazer um aceno discreto ao legado do perfume Terre d'Hermes de uma maneira que não pareça um flanker do mesmo. H24 combina bem com a inspiração no mundo da alfaiataria, uma peça olfativa sóbria e precisamente cortada com o melhor que há dos ingredientes. Se esse for o futuro da perfumaria masculina na década de 2020 estaremos muito bem servidos.