12 de jun. de 2021

Memória Olfativas - Mônica Rossetto e Kenzo Jungle Elephant

 


Uma das coisas que meus anos de avaliação de perfumes me ensinou é que você não pode testar um perfume apenas uma vez na vida. Por mais que você tenha entendido ele naquele momento a gente muda com o passar dos anos. As experiências nos moldam, sejam elas olfativas ou não. E me dei conta ao começar a escrever minhas memórias olfativas de que as pessoas são como os perfumes - a gente tem que voltar nelas para confirmar e até mesmo transformar o nosso entendimento.

Quando comecei a pensar na lista de pessoas que eu gostaria de escrever uma memória associado a um perfume a Mônica Rossetto me veio a cabeça e eu senti um desejo de explorar isso melhor. Eu conheci a Mônica como professora minha do curso de formação de perfumaria da Paralela, um curso de 1 ano que talvez foi uma das experiências mais legais que eu já tive na minha vida. E a Mônica foi a responsável por nos conduzir por um dos módulos mais lúdicos e divertidos do curso, o módulo de conhecimento das facetas olfativas, dos materiais sintéticos e naturais e de seus efeitos nas fragrâncias.

Naquela época minha relação com a Mônica não era de amizade. Era de um aluno versus um professor. E havia também algo meio astrológico da qual na época eu não tinha maturidade: a Mônica é de Gêmeos, eu de Sagitário. Somos signos opostos e é interessante que nos opostos há a diferença de ver o mundo mas ao mesmo tempo há muita coisa em comum, da qual na época eu não tive o insight para perceber.

A Mônica como excelente profissional que foi nos conduziu com firmeza por suas aulas para que conseguíssemos chegar no nosso objetivo. A nossa turma era muito falante e participativa a facilmente sequestrava o assunto das aulas rs Mas ao mesmo tempo que a Mônica precisou fazer um papel de professora com a gente ela também compartilhou um pouco de si conosco - lembro de seus preciosos materiais naturais e lembro um pouco das histórias que ela nos contava. Como uma boa atriz e talentosa perfumista a Mônica sabe trabalhar tanto as emoções como a palavra.

Em uma de nossas aulas a nossa professora estava usando um perfume marcante, aplicado com moderação. Eu conhecia aquele cheiro e fiquei surpreso em vê-la utilizando. Era o Kenzo Jungle Elephant. E essa lembrança ficou cravada na minha memória. E olhando hoje para essa fragrância eu consigo ver perfeitamente a Mônica nela: é um perfume multifacetado como uma atriz, intenso como uma, complexo e cheio de detalhes como uma perfumista experiente. A Selva pode ser visto como algo assustador ou algo selvagem, mas também é uma analogia para estarmos em sintonia com o que somos e em sintonia com o universo ao nosso redor. E como uma perfumista experiente e quem não tem mais nada a provar Kenzo Jungle reflete muito bem isso na Mônica.

Recentemente descobri que na verdade o perfume favorito da minha nova-antiga amiga Monica é o descontinuado Kenzo Jungle Tigre. O que faz ainda mais sentido pois em sua essência eu vejo a Mônica como uma figura felina, como uma Leoa. Há algo elegante e ao mesmo tempo contido na Mônica da mesma maneira que há em um felino. Um felino não precisa mostrar toda a sua exuberância e força, ele só o faz quando necessário. E um felino também é um ser extremamente amoroso, de sua maneira e nos momentos que ele desejar. Hoje eu vejo que em nossas aulas a Mônica foi como uma espécie de Leoa mãe disciplinando seus filhotes para aprender a encarar o mundo da maneira correta. E uma Leoa mãe ama os seus filhotes, porém faz o que é necessário para que eles cresçam da maneira certa.