10 de jun. de 2021

MFK Baccarat Rouge 540 - Entendendo a Fragrância/Avaliação do Perfume


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Em uma das entrevistas que o perfumista Francis Kurkdjian deu ele cita que Baccarat Rouge 540 é uma de suas obras-primas. Talvez o perfumista já estivesse ciente na época ou estivesse sendo presciente do tamanho do sucesso que tal fragrância tomaria. Esse de fato é um clássico moderno e um que vale a pena se aprofundar na história para entendimento de seu sucesso.

Primeiramente a fragrância nasceu em 2014 como uma edição limitada de 250 frascos para a centenária marca de cristais Baccarat. A marca deseja comemorar seus 250 anos de vida e comissionou ao perfumista um perfume para celebrar isso. O perfumista menciona que não foi passado nenhum brief da marca para a criação do projeto.

Dessa maneira, Francis Kurkdjian resolveu refletir no processo criativo a forma como um cristal Baccarat é tratado para que atinja a tonalidade vermelha, sendo 540 a temperatura necessária para isso. É uma alusão a um processo de metamorfose do cristal claro quando misturado a ouro 24 quilates a uma temperatura de 540 graus celcius, o que cria um brilho escarlate no cristal. A ideia do perfumista foi então capturar esse processo e criar uma fragrância ambarada e floral de contrastes, uma alquimia poética onde um jasmim aéreo combinado a um açafrão radiante carregando um ambergris mineral e nuances de cedro recém cortado. 

A ideia do perfumista é bem gráfica segundo ele mesmo e a ideia de criar uma fórmula compacta e elevada ao extremo. Tudo foi feito segundo ele de uma maneira dramática e rapidamente, porém seguindo os princípios clássicos de criação de Jean Carles, o inventor da pirâmide olfativa.

Baccarat é um perfume simples de ser entendido e em sua simplicidade e overdose talvez more justamente seu sucesso. O perfumista mesmo menciona que trabalha com uma overdose de moléculas sintéticas com o uso de poucos naturais para dar equilíbrio. Em uma das entrevistas ele menciona a utilização de tagetes , hedione (jasmim), maltol (aroma caramelado mais sutil), laranja, musgo de carvalho sintético e ambroxan (fazendo o papel do ambergris). Um equilíbrio elevado ao extremo da composição para que seja possível atingir o luxo e transparência de um cristal avermelhado.

Sinestesicamente Baccarat Rouge 540 sempre me fez pensar no aroma das rosas. Há algo em seu delicado aspecto aveludado que me cria uma ilusão de rosas açúcaradas de veludo vermelho. A fragrância foi feita para ser uma fragrância de rastro e por isso pouca ênfase é dada em notas de saída - a laranja nem chega a ser mencionada na pirâmide olfativa oficial mas deve fazer parte da sinfonia para que arredonde a composição. É difícil saber se o Tagetes utilizado na fórmula é a Calêndula ou o cravo selvagem porém a ideia aqui é acrescentar um toque clássico (o tagetes tem uma nuance de cravo da índia que talvez incomode a alguns) ao mesmo tempo que se utiliza das nuances secundárias adocicadas e frutadas de seu aroma herbal amargo e pungente.

Como um perfume construído para ser uma fragrância de extremos e de rastro, o centro da composição encontra-se ao redor do hedione, maltol e do ambroxan (e certamente de musk ou musks que não são mencionados). O Hedione cria a luminosidade e delicadeza do jasmim, o maltol acrescenta um aroma açúcarado moderado, menos intenso que o cheiro de algodão doce do etil malto. Isso ajuda a reforçar um aspecto aveludado vermelho do qual o ambroxan amplia a luminosidade e rastro e cria uma sensação de segunda pele quente, radiante e sensual. A isso é acrescentado um cedro aveludado e mineral e um toque orientalista de açafrão que também dá aspectos de tabaco e reforça a fantasia de uma rosa vermelha e aveludada. Baccarat Rouge 540 é um perfume simples, lançado na hora certa, aliando o apelo do luxo e de seu preço e a agradabilidade de sua fórmula. Mas certamente não é uma harmonia tão fácil de ser equilibrada e depende ainda de segredos que não foram revelados pelo perfumista.